domingo, 22 de junho de 2008

Resenha do filme: O Triunfo da Vontade

O documentário de Leni Riefenstahl sobre o congresso nacional-socialista alemão de 1934, lançado no mesmo ano, é acima de tudo uma exaltação da nacionalidade alemã, do Estado nacional-socialista, e do próprio Hitler. O filme representava um grande avanço em técnicas de filmagem, influenciando diversos diretores.

O filme exibe a força de Hitler diante de sua multidão, mostrando o seu enorme poder de comando sobre ela, caracterizando um dos elementos do Nacional-Socialismo, a ordem. Um espetáculo estético é feito diante de Hitler, em que se pode notar que as multidões eram altamente organizadas e o apoiavam.

Hitler aparece como sendo o líder capaz de fazer a Alemanha voltar a ser uma grande nação, apesar da humilhação que o país sofreu após a Primeira Grande Guerra. São mostrados discursos de personalidades do Exército alemão que incentivam o povo a se mobilizar para melhorar a condição de seu país e aumentam a sua moral, fazendo elogios, de forma a acender o patriotismo no coração das pessoas, como por exemplo, dizendo que são de sangue puro e que são fortes. Mostra-se o caráter nacionalista, ao demonstrar que lá estavam presentes homens de toda a Alemanha, dando a idéia de que todos formavam uma só nação.

O discurso de Hitler dava grande importância ao trabalhador alemão e aos jovens (tanto que era a eles que o discurso mais se dirigia). Hitler prometia fazer do trabalhador alemão um cidadão, com os mesmos direitos que possuíam aqueles de classe social mais privilegiada – está aí presente mais uma característica do Nacional-Socialismo, a idéia de que não existem classes, e sim uma nação. A nação é um corpo só, e cada grupo social seria um órgão deste corpo, e sendo assim, não deveriam haver brigas entre esses grupos, já que buscavam o mesmo objetivo, que era construir uma Alemanha forte e vencedora, e o Führer estava lá para conciliar estes grupos, sendo um juiz das causas de ambos. Para que isso se concretizasse, era necessário que os alemães mais humildes acreditassem que teriam uma vida mais amena, e que a riqueza e glória da nação seria compartilhada por eles. Quanto aos jovens, Hitler dá uma atenção especial, dizendo pertencer a eles o destino da Alemanha. De fato, era mesmo dos jovens que o Nacional-Socialismo dependia, pois eram eles iriam compor o exército, e eles que mais se mobilizavam.

Mais uma conclusão que se pode tirar ao assistir o filme é que Hitler dava grande importância aos símbolos. Tropas da S.A. e da S.S. desfilam carregando o estandarte nazista, que possuía certa semelhança com os estandartes usados pelo Império Romano, causando uma certa impressão de grandiosidade do Reich. Também tropas se organizavam de tal maneira que se formava uma suástica, símbolo nacional-socialista.

Ideologicamente, notava-se o ideal de supremacia da raça ariana, baseada no darwinismo social e na eugenia. Também estavam presentes a noção de equipe e de camaradagem (como pode se perceber no início do filme, onde os jovens apareciam realizando atividades em equipe), e eram muito valorizados os veteranos da Primeira Grande Guerra.

Quanto à característica racial do Nazismo, já se pode notar assistindo o filme que haveria discriminação, que nem todos os alemães seriam representados pelo Estado Nacional-Socialista. Numa parte do filme em que aparecem discursos de diversos homens que faziam parte do comando do Estado, um chamou atenção em seu discurso. Seu nome é Julius Streicher, Governador da Franconia superior e editor do “Der Stürmer”, e dizia “A nação que não valorizar sua pureza racial, irá perecer”. Esta frase deve ser associada com o que começou a acontecer com os Alemães considerados “impuros” e “degenerados”, como os judeus, deficientes físicos, ciganos, e diversos outros grupos, e o que aconteceria com eles depois. Deve-se imediatamente lembrar dos campos de extermínio, sendo este o momento em que o Estado Alemão tentou a qualquer custo “valorizar a sua pureza racial”.

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