domingo, 22 de junho de 2008

Resenha do filme: Homo Sapiens 1900

Eugenia é a ciência que estuda as condições mais propícias à reprodução e melhoramento da raça humana. Apesar de tal conceito parecer inofensivo, a eugenia foi responsável por diversas ideologias que oprimiam uma minoria étnica e para justificar atrocidades, como a limpeza racial. Isto é discutido no documentário de Peter Cohen, Homo Sapiens 1900.

O filme demonstra que a eugenia não foi uma característica exclusiva do Estado Nacional-Socialista alemão, e que serviu para diversos fins, inclusive em governos democráticos, como na Inglaterra e nos Estados Unidos. Existiram dois tipos de política de eugenia, a política de eugenia positiva e a negativa. A positiva consistia em fazer com que as raças superiores se proliferassem, e a negativa em evitar que as inferiores proliferassem.

Os principais alvos da crítica de Cohen, porém, são a Alemanha e a URSS.

A Alemanha construiu um estado totalmente baseado num ideal de pureza racial, e foram utilizadas as teorias Eugênicas para construir um povo alemão “puro”, e era muito valorizada a beleza e a saúde. A pureza racial do povo Ariano era associado não só à beleza e à saúde, mas também à higiene, e dessa forma houve o assassinato de pessoas com defeitos genéticos, além da proibição de casamentos inter-raciais e a perseguição a minorias consideradas naturalmente inferiores.

São mostradas as casas que os nazistas criaram para abrigar mulheres que dariam à luz o futuro super-homem. Essas, por sua vez, acabaram gerando problemas ideológicos para o próprio nazismo, na medida em que o cruzamento sexual entre machos e fêmeas para a reprodução desse homem perfeito entrava em contradição com o conceito de família que estava na base do regime.

Na URSS, pelo contrário, a prioridade dos estudos baseadas em teorias eugênicas era o intelecto humano, e o próprio cérebro de Lênin foi estudado após sua morte. Na URSS, ainda predominava o lamarckismo, pois era mais conveniente para o socialismo tal teoria que dizia que os homens eram produto do meio; enquanto isso as teorias de Mendel eram consideradas contra-revolucionárias. Embora por caminhos opostos, ambos os Estados rivais (Estado Socialista e Estado Nacional-Socialista) recorreram à eugenia como forma de criar o novo homem que propunham.

A parte mais impressionante do filme de Peter Cohen é quando mostra um filme mudo “educativo” produzido nos Estados Unidos chamado A Cegonha Negra, em que um médico pratica eutanásia em um bebê que nasceu deformado, e diz na legenda: “Há ocasiões em que salvar uma vida é um crime maior do que tirá-la”. O filme é uma propaganda de uma política de limpeza racial baseada na eugenia, e é uma prova de que não foi apenas o Nazismo, ou os Estados autoritários que pretenderam colocar em prática essas teorias raciais, pois mesmo nos Estados Unidos, essa teoria também foi base para uma política de “Apartheid”.

Um comentário:

Garota Sonhadora disse...

Foi a história mas,choca-te da EUGENIA .