domingo, 22 de junho de 2008

Resenha do filme: Arquitetura da Destruição

O filme “Arquitetura da Destruição” mostra como a arte estava presente no pensamento nacional-socialista, e como foi utilizada maciçamente na propaganda política. Mostra diversos elementos artísticos que compuseram o cenário político do Terceiro Reich, inclusive que diversos membros da administração do Estado alemão eram artistas, inclusive o próprio Hitler. O filme, porém, também serve para mostrar que não se pode dizer que Hitler era apenas um artista medíocre e frustrado, pois todo o Estado nacional-socialista se apoiou sobre seu projeto artístico.

A arte está profundamente ligada ao ideal anti-liberal do nazismo. Nas pinturas nazistas, era representado um modo de vida bucólico, e admirava-se o cavaleiro medieval; além disso, Hitler era apaixonado pelas óperas de Richard Wagner, que contavam sagas de cavaleiros medievais e heróis da mitologia germânica. Isso se insere num contexto reacionário de aversão ao novo e da busca pela volta ao modo de vida dos antepassados, e o nazismo, como diz Eric Hobsbawm, não era simpático à Revolução Francesa ou o que quer viesse dela, como o comunismo, irmão de berço do liberalismo.

A arte moderna era vista como uma arte degenerada, ligada ao comunismo e ao judaísmo. Figuras de pessoas com problemas genéticos eram comparadas com pinturas modernistas, e grandes artistas alemães foram banidos, pois não se enquadravam no modelo de beleza que o nazismo queria apresentar, visto que beleza era sinônimo de saúde, e almejava-se criar uma sociedade alemã bela e saudável. O Nacional-Socialismo saberia exatamente o que havia de doente na sociedade alemã, e se responsabilizava por limpá-la, para criar um povo alemão belo, forte, e saudável. A isso se uniu uma biologia eugênica que, baseada no darwinismo, classificava como inferiores e degenerados todos os problemas genéticos. Dessa forma, eliminar um deficiente físico ou mental seria o mesmo que eliminar uma doença da sociedade. Dizia-se que o homem, ao se organizar em sociedades, passou a desrespeitar a seleção natural e a própria natureza permitindo que um deficiente continuasse a viver, sendo que o mesmo não conseguiria se fosse por conta própria.

Nesse contexto de eliminar as doenças da sociedade se encaixa também o próprio anti-semitismo, sendo os judeus considerados uma raça degenerada, e mais que isso, uma grande doença na sociedade alemã. A eliminação dos judeus se encaixa no processo de purificação da raça, e também da cultura do povo alemão, e a chamada “solução final”, seria uma agilização nesse processo, visto que estava cada vez mais evidente que a Alemanha poderia perder a guerra.

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